IPSC – A COMÉDIA DA REALIDADE (morram de rir)

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MORRAM DE RIR!!!!

Aviso: O texto foi escrito por um Atirador, praticante do IPSC. Trata-se de um texto que satiriza uma prova de IPSC, utilizando-se de humor, ironia e absurdas analogias. As informações de toda natureza aqui contidas não refletem qualquer tipo de discriminação, ou mesmo a opinião do autor. São totalmente inverídicas, exageradas e propositadamente distorcidas. O objetivo é divertir os praticantes do IPSC.

TÁTICAS!

Durante a corretíssima campanha do desarmamento promovida na cidade de São Paulo, nós jornalistas fomos duramente criticados pelos atiradores, colecionadores e demais criminosos que portam armas, porque, segundo eles, falamos muita besteira quando nos referimos às armas.

Para provar que isso não é verdade, fui presenciar uma prova de IPSC, sem me identificar, obviamente. E ali, presenciei os procedimentos desse aficionados que treinam incansavelmente. Não fiz nenhuma pergunta pra ninguém, mesmo porque sou bastante inteligente para perceber as coisas só pelo meu aguçadíssimo faro jornalístico. Essa matéria é o resultado dessa visita, aliada ao meu altíssimo QI…

A primeira coisa que me chamou a atenção é o alto índice de homossexuais assumidos que praticam essa modalidade de tiro, já que vários deles mostram ostensivamente o desenho de um veado (1) nas camisetas, bonés, e malas de tiro, além disso, presenciei vários atiradores chegando perto dos juizes e, sem vergonha nenhuma e em voz alta, dizerem: “Me esquenta???” (2) Foi uma surpresa, achei que o tiro não era comum na comunidade Gay.

Percebi que a maioria dos atiradores heterossexuais (aqueles que não possuem o desenho do alegre animalzinho na camisa), ostentavam a sigla DVC (3) nas suas camisas. Fiquei intrigado… O que seria isso?? Chegando mais perto consegui ler que se tratava de uma frase que mistura português, francês, e latim, que significa: Diligencia (a carruagem dos filmes de bang-bang), Vis (violência em latim) et (a conjunção aditiva “e”, em francês), Celeritas (velocidade, em latim). É obvio que é uma homenagem ao cinema americano, mais especificamente aos filmes do velho-oeste, referindo-se à velocidade das carruagens cruzando o oeste americano e a violência dos índios da época. Tive essa certeza, quando testemunhei um juiz perguntar a um atirador: “Are you Red??? (4) (você é vermelho). Com certeza é parte do cerimonial da prova, indagando ao atirador por meio de uma parábola se ele é um “pele vermelha” (índio americano) e sempre o atirador abaixava a cabeça, ficava estático, pensativo e respondia que sim, que ele era um “pele vermelha”.

AS ARMAS

Obviamente, todos os participantes possuíam revolveres das mais variadas formas e tamanhos, nos mais variados calibres: 38 mm, 45 mm, 40 mm, 44 mm fechado a gás, 9 mm, 357 mm e 38 mm Super. Na minha opinião, os que mais gostei foram os revolveres 357 mm da marca Magnum(5) (mais uma referencia a Hollywood, mais especificamente ao seriado policial do mesmo nome) e o 9 mm da marca Parabellum (6) (vendido somente a Policiais, devido ao alto poder de fogo, capaz de derrubar paredes, helicópteros, elefantes, etc.). Gostei, também. De um revolver prateado e grande fabricado muito provavelmente em Rio Claro (7), porque só os habitantes dessa cidade possuem essa marca, chamado IMBEL. Mas o mais impressionante é o 38 mm Super, da categoria Open. Essa arma pertence a essa categoria porque tem um cano aberto (open, quer dizer aberto em inglês) na parte de cima da arma (8), para sair a fumaça da arma e ajudar o resfriamento do cano. Essas armas são dotadas de uma luneta laser (9) um pouco diferente da tradicional, uma vez que o ponto de luz sai da arma, reflete no alvo e retorna pra luneta, ajudando o atirador no momento do tiro. Essa arma dá rajadas de um só tiro muito rápidas. Destaca-se, também, a arma Clock (10), produzida pela filial austríaca da famosa fábrica de panelas, sendo que essa arma é inteira de plástico e com certeza passa com facilidade pelo teste dos detectores de metais de aeroportos. Proveniente da mesma tecnologia existe uma munição com teflon, famoso antiaderente usado também nas panelas Clock. Deixo aqui um recadinho para a Rochedo… Investir no mercado de armas e munições pelo jeito é um bom negocio…

OS EQUIPAMENTOS

Os equipamentos usados pelos atiradores são também, muito peculiares: headphones (11) (para escutar melhor o tiro), óculos de sol amarelo, cintos e coldres de couro ( como desenho do veado, provavelmente da turma dos homossexuais sado-masoquistas) e chuteiras (para protegerem os pés dos atiradores no momento dos chutes nas portas).

A PROVA

Antes do inicio do tiroteio, o juiz chama os atiradores para uma conversa dentro do cenário, para explicar o que eles deverão fazer. Mais uma vez o comportamento bizarro se apresenta: o juiz pisa numa linha no chão e, mudando a posição do pé diz a frase “isso é bom, isso é bom, isso não é bom”, e sempre um atirador interrompe o juiz, coloca seu pé na mesma linha e pergunta ao juiz “…. E isso é bom????”(12).

Deve ser muito bom praticar o tiro!! Logo após esse bate papo, o juiz diz: “… 5 minutos pra passear pela pista…” Aí tem inicio a parte mais meiga da competição. Os atiradores, vão, um a um, passeando pelo cenário com as mãos juntas na posição de quem esta rezando, pedindo proteção a Deus e olhando e apontando para todos os alvos, em silencio e pensativos. A beleza desse momento é indescritível, uma vez que o cenário transforma-se num culto ecumênico, já que todos os atiradores, de todas as religiões, participam da reza (13).

O ALVO

O alvo dessa modalidade é formado por um retângulo e um quadrado, um em cima do outro, formando uma figura abstrata e dividido em 5 partes: alfa, bravo, charlie, delta e miss. Sendo que o miss é, provavelmente a parte mais difícil de se acertar do alvo. Confesso que da distancia que eu estava não consegui perceber aonde era o MISS (14).

Suponho que seja a parte mais importante, porque não são todos os atiradores que conseguem acertar no miss, e quando isso acontece, o juiz fala em voz alta a palavra “Miss!!” e chama o atirador perto do alvo para parabeniza-lo e para mostrar que ele realmente acertou o miss. Nesse momento, todos os outros atiradores mostram um sorrisinho disfarçado no canto da boca, certamente felizes com a proeza do companheiro.

Outro tipo de alvo é o chamado No-Chute (15), que é aquele que o atirador saca e atira antes mesmo de olhar, vai no chute mesmo… Se pegar, pegou.

A MUNIÇÃO

A munição é realmente muito precisa, não pelo fato de atingir o alvo, mas também na volta da cápsula para o lado do atirador. Para quem nunca atirou, vou explicar: no momento do tiro, a bala vai junto com a cápsula em direção ao alvo e no momento do choque como alvo, ela se fragmenta e a cápsula retorna em direção ao atirador, e sempre do seu lado direito (16). Tudo isso graças ao poder explosivo da bala Dum-Dum (17), muito utilizada no esporte.

Confesso que pela elevada velocidade da bala, não pude acompanhar o processo de fragmentação da bala no alvo, mas verificando que após o termino dos tiros as cápsulas estavam sempre ao lado do atirador, posso afirmar sem sombra de duvidas que é isso que realmente acontece.

Reparei, também, que alguns atiradores (muitos da PM de Minas Gerais) utilizam um tipo especial de munição, a tal munição FUBÁ (18). Pelo que percebi, essa munição tem uma precisão um pouco relativa, uma vez que é muito difícil acertar o miss com essa bala, mas em contrapartida, é muito grande o numero de alfas (segunda parte mais importante do alvo) atingidos por ela.

Terminado o tiroteio, o comportamento afrescalhado volta a reinar, uma vez que o atirador se aproxima do juiz e diz: “me esfria??” (2). E o juiz acompanha o atirador até um cantinho escondido e os dois ficam juntinhos por alguns segundos trocando confidencias. Esse comportamento de “esquenta” e “esfria” me faz supor que os atiradores fazem parte de um mundinho da comunidade gay… Os “gays térmicos”

Finalizando, espero que vocês tenham gostado desse passeio pelo mundo mágico da modalidade de tiro que homenageia a sétima arte. Tenho certeza que demonstrei que, com um pouco de inteligência e muita dedução, o jornalista tem condições de mostrar a realidade dos fatos de forma real e justa, sem falar besteira e sem ter que perguntar nada pra ninguém sobre o assunto que vai escrever, (risos).

Um abraço.

SEGUE ABAIXO O SIGNIFICADO DOS TERMOS RESPECTIVAMENTE NUMERADOS ACIMA

(1) O veado é o símbolo da Safariland a mais famosa marca para tiro esportivo.

(2) Nas provas de IPSC o atirador só pode manusear sua arma na área de segurança. Nesta área, onde não se permite à entrada de munição, o atirador pode retirar sua arma da embalagem de transporte, colocar no coldre e travá-la. Ao sair da área de segurança, ele só pode manusear a arma quando autorizado pelo arbitro, na sua vez de atirar. Caso ele manuseie a arma fora da área de segurança ou sem permissão do arbitro, ele é sumariamente desclassificado. Às vezes o atirador encontra-se longe da área de segurança e então entra em uma pista que não esteja sendo utilizada e solicita a permissão do arbitro para retirar a sua arma da maleta e colocá-la no coldre. Permissão concedida, dirigem-se os dois ao para-balas da pista e é feita a operação. Na gíria do IPSC isto é chamado “esquentar a arma” ou “me esquenta”. A operação inversa, de retirar a arma do coldre e colocar na maleta chama-se esfriar.

(3) A modalidade de tiro denominada IPSC é baseada em três princípios: precisão, potência e velocidade. Escolheu-se o latim para expressar esses princípios: Diligentia, Vis et Celeritas ou simplesmente DVC.

(4) Quando o atirador esta posicionado na pista de tiro, o arbitro lhe pergunta se está pronto e, como a língua oficial do IPSC é o Inglês, a pergunta é “are you ready?”. As palavras READY(pronto) e RED (vermelho) têm a pronuncia que pode parecer semelhante aos iniciantes em inglês.

(5) Na verdade o calibre é o .357 Magnum.

(6) Na verdade o calibre é o 9 mm Parabellum

(7) Foi provocada um grande confusão: Rio Claro não possui fábrica de armas. A IMBEL tem sua fábrica situada em Itajubá – MG e não possui revolveres em sua linha de produção.

(8) Na verdade a categoria tem denominação de OPEN porque quase não existe nenhuma restrição ou limitação para nada, inclusive para os compensadores que são furos feitos nos canos da arma com a finalidade de estabilizá-la.

(9) As miras ópticas utilizadas apenas indicam o alvo; em nenhum momento elas projetam o laser no alvo, o ponto de laser fica no interior da mira.

(10) São muito utilizadas no IPSC as pistolas Austríacas GLOCK, confundidas com as panelas CLOCK.

(11) Faz parte do equipamento obrigatório de segurança o protetor auricular, que serve para abafar o som, confundido com headphone.

(12) Existem linhas de falta, nas pistas de IPSC, que o atirador deve observar. A gíria utilizada é a seguinte: isto é bom, significa que não haverá falta; isto não é bom, significa que se o competidor pisar daquela maneira que “não seja boa”, será penalizado.

(13) Este momento é chamado de walkthrough. É quando os competidores memorizam as posições dos alvos na pista e decidem qual a melhor maneira de fazê-la.

(14) Miss significa que o atirador não acertou nenhum local do alvo e será penalizado com perda de pontos.

(15) O alvo tipo No Shoot (Não Atire – agora chamado de Alvo de Penalidade) significa que não deve ser acertado; e quem o fizer será penalizado com perda de pontos.

(16) O nosso articulista se refere à utilização de pistolas semiautomáticas que ejetam os estojos vazios após o disparo e normalmente caem á direita do atirador.

(17) A imprensa criou um mito: a bala explosiva chamada “dum-dum”, que não existe.

(18) A munição utilizada no IPSC deve seguir um padrão de potência. Se não for atingido o piso de energia necessário, o atirador é penalizado. Quando se flagra alguém utilizando uma munição mais fraca, diz-se que está utilizando munição FUBÁ, ou seja, carregou a munição com FUBÁ ao invés de pólvora.

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Luis Cesar
Statts Officer – IROA – 533
Range Officer – NROI – 410

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